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alfacinha

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Ser mãe #6 - 5 mudanças e a minha metanoia

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A chegada de um bebé implica um sem número de mudanças na vida de qualquer pessoa. Algumas dessas mudanças são mais óbvias, outras só acontecem a alguns, outras são tão nossas como o bebé que as trouxe. Durante estes nove meses foram várias as coisas que mudaram na minha vida, algumas serão por um tempo mais ou menos limitado pela idade do Manel e outras ficarão para sempre como parte integrante dela. 

Há mudanças que chegam pela necessidade do agora e que, com o crescimento dos nossos bebés, dão lugar a outras. 

No entanto, há outras que nos transformam e  que, não nos fazendo diferentes na nossa essência, dão outra perspectiva à nossa vida. Não se trata de mudar o feitio ou a forma de estar depois de ser mãe, mas é inevitável que a maternidade dê uma dimensão diferente à vida. A consequência desta nova dimensão  é a forma como passamos a encarar o dia-a-dia, os seus dilemas e a vida em geral. 

Acredito que a estas mudanças se venham juntar outras, seja com o crescimento do Manel ou com a chegada de outros filhos. 

Acredito que, não me definindo como pessoa,  algumas fazem agora parte do meu ADN. 

O certo é que a maternidade é uma obra de arte que eleva ao máximo o expoente feminino e que estas mudanças são como "rugas da alma", ficam para sempre e são minhas. 

Aceito-as e vou estimá-las, porque, para além de resultarem do melhor que a vida me deu, sinto que enriqueceram extraordinariamente a minha forma de estar.    

  1. O tempo  

Tic-tac , Tic-tac! O tempo não para quando se tem um filho, e parecendo algo óbvio não deixa de ser fabuloso o valor que hoje em dia lhe dou. O tempo é todo virado, em grande parte, para o Manel. É natural e um prazer usufruir dele com ele, mas se é tão verdade que não há nada melhor no mundo do que os aproveitar ao máximo também é verdade de que qualquer mãe precisa de tempo para si. Seja tempo para se arranjar, para espairecer, para estar com o marido, para estar com as amigas ou contar os pingos que passam por entre a chuva só porque lhe apetece. A juntar ao valor que se dá ao tempo e à falta dele, todos os dias levamos uma chapada temporal quando olhamos para os nossos filhos e percebemos que de repente já gatinham, andam, falam e que daqui a nada nos estão a mandar dar uma curva. Devido a todos estes motivos e a mais algum que o pouco tempo que tenho para escrever me tenha feito esquecer, o tempo ocupa o primeiro lugar na minha lista de mudanças. Dou-lhe mais valor, sinto que o faço render dez vezes mais do que antes e às vezes tenho uma vontade intrínseca de o fazer parar e esborrachar o Manel com beijinhos.   

 

  1. O sabor da vida  

Depois de ser mãe tudo sabe melhor. É praticamente impossível que assim não seja, porque para além de ouvir um filho a rir ser suficiente para vermos unicórnios e chupa-chupas em todo o lado, a vida ganha um sabor diferente depois de sermos mães. Uma chávena de café bebida sem interrupções, uma noite no sofá a ver um filme (nem é preciso ser um novo), umas horas de compras em que não se compra nada, uma meia-hora em que se passa pelas brasas à frente da lareira, um banho a sós é elevado a um dia no SPA. Tudo sabe melhor, tudo é vivido com mais intensidade e com mais vontade. Os momentos que tínhamos como banais passam a ser mágicos e deliciosos. Podem ser menos, mas são mil vezes melhores. AH, e nada mas nada dá mais sabor à vida do que as gargalhadas de um filho: N A D A!  

  

  1. A relatividade das coisas 

Não há melhor cura para as trivialidades e chatices do dia-a-dia do que ser mãe. Não há nada que relativize mais a vida do que um filho. A saúde e o bem-estar tornam-se mesmo no mais importante. Garanto-vos que não resolve os problemas, não é um elixir mágico e não faz com que tudo seja mais fácil. Aquilo que o Manel me dá é a capacidade de abordar os dilemas do dia-a-dia de uma forma completamente diferente. Claro que quando o meu I-Phone se passa da marmita sem razão aparente fico furiosa e com vontade de esganar o bambi, mas a diferença é que dura 5 minutos em vez de 10. Porque é muito fácil arrumar os problemas quando se tem um filho. Problema era a saúde lhe faltar e triste era não o ver crescer. Por isso, ter um filho fez-me por tudo num contexto diferente. Permitiu-me arrumar a casa dos dilemas de uma forma diferente e simplificada: uns merecem 5 minutos de desespero, outros 10 e outros não merecem nem um minuto de preocupação. 

  

     4.Os objectivos  

Pensei que a maternidade podia fazer desacelerar e abrandar  o bicho carpinteiro que em mim habita. Nunca pensei que a maternidade me fosse anular, acho que nada nos deve anular. Da mesma forma que acho isto, acho que uma mulher que escolhe ficar em casa a tratar dos filhos não se está a anular de forma alguma. Acho que existem mil e uma formas de ser mãe, acho que existem mil e uma formas de uma mulher não se anular enquanto o faz e acredito que se alguém o escolhe fazem ninguém deve criticar ou julgar essa decisão. Posto isto, também não esperava que ser mãe me desse mais vontade de cumprir objectivos. O Manel estando em primeiro lugar, deu-me um empurrão e fez-me ir à procura de novas coisas e lutar pelos meus sonhos. Ser mãe fez-me ter mais ideias, mais vontade, mais força, mais perseverança e mais espírito de sacrifício. Tudo isto é impulsionado pela vontade de querer fazer com que o Manel tenha orgulho em mim e para ser capaz de lhe construir o melhor futuro possível. Não obstante isto, não há nada que tire lugar ao tempo com e para o Manel. Tenho o privilégio de o puder gozar ao mesmo tempo que trabalho tanto na tese como nos meus sonhos.  

 

  1. Ser filha  

Continuo a ser a mesma filha de sempre, acho que nunca deixamos de precisar dos nossos pais, mesmo quando somos mães e mesmo quando não o gostamos de admitir. O valor que lhes dou é, no entanto, muito maior. A capacidade que tenho de os perceber mudou muito e aos poucos. Porque nestas mudanças, em que umas são tão nossas como os bebés que as trazem, há uma que é comum a qualquer mãe ou pai do mundo. O amor. O amor aumenta exponencialmente e é o mais distinto e indescritível do mundo. Esse amor faz-nos perceber os nossos pais de uma forma particular, coloca-nos no mesmo patamar emocional que eles e não deixando de ser seus filhos passamos a ser pais. Passamos a ver os medos e as angústias, as obrigações e as responsabilidades, os ralhetes e as brigas, os abraços e os beijinhos roubados na adolescência de outra forma. É o amor que tenho pelo Manel que me faz agradecer os pais que tenho com mais veemência e compreensão do que antes. É o amor que  vejo nutrirem por ele, em modo de êxtase com cada novidade e descoberta, que me faz perceber que não há nada que possa mudar mais o mundo do que um filho. Eles são os melhores pais, os melhores avós, os melhores educadores. Ter o Manel fez-me ver que por mais velha que me torne é normal que aos olhos deles precise sempre de um empurrãozinho ou de um ralhete. Porque se o Manel vai ser sempre o meu bebé é apenas normal que eu seja sempre a deles.   

  

E por aí como estão a viver a vossas metanoias?

 

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