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alfacinha

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Ser Mãe #5 - O trabalho mais valioso do mundo

Lisboa, 23 de novembro de 2016

 

A todas as Mães

 

Ser Mãe é o privilégio mais cansativo que conheci até hoje. Desenganem-se aqueles que acham que os dilemas de uma mãe são sempre resolvidos com o instinto maternal, há alturas em que dá vontade de mandar um grito e fugir com a roupa que temos no próprio corpo. Se ser mãe é a melhor coisa do mundo e os nossos filhos são o nosso tesouro mais bem guardado, existem alturas em que somos postas à prova, como gladiadores na era romana.

 

No fundo é isso que somos, gladiadoras de maminha, de biberon, ou colher de papa, tanto faz, pois o que importa é amá-los e se possível manter a nossa sanidade mental intacta. Por mais calmo que um bebé seja, haverá sempre momentos complicados. Ainda que não haja noites mal dormidas, haverá sempre um “qualquer outro tigre a domar”. Ser mãe implica ter a tenacidade de um dominador de “feras” e a delicadeza de uma primeira-bailarina. É uma dança, que implica os mais diversos jogos e movimentos, o lidar com situações imprevisíveis e sempre um amor arrebatador que faz com que tudo valha a pena. Porque, neste caso, depois da tempestade vem mesmo e sempre a bonança. Somos educadoras permanentes, entertainers nas horas vagas, cozinheiras e enfermeiras de campanha…. Se é o nosso colo que os afaga quando estão assustados, também somos nós que os “repreendemos” quando se portam menos bem.

 

Hoje em dia a maior parte de nós trabalha, gere carreiras (e o ego dos outros…), lidando com pressões sociais inimagináveis. Outras escolhem ser mães a tempo inteiro, trabalho muitas vezes menosprezado, para mim o mais difícil e altruísta do mundo. Ser mãe é como ser rainha de um país, é vestir a camisola de uma família e garantir que seja longa ou curta a nossa vida irá ser, em grande parte, a eles dedicada. Nós mães, mais novas ou mais velhas, estados civis à parte, somos capazes de enfrentar o mundo a qualquer hora, de qualquer forma, sem aviso prévio ou guião escrito. Somos “polvos humanos” e os nossos tentáculos parecem chegar a tudo e quando não chegam tende a abater-se sobre nós uma certa frustração. Aos nossos olhos somos sempre capazes de controlar o que nos rodeia. A verdade é que muitas serão as vezes em que não o iremos conseguir, embora partamos sempre com essa vontade em mente. Há alturas em que ser mãe “esgota”, drenando-nos física e psicologicamente, fazendo-nos pensar sobre se foi assim que imaginávamos o que seria ser mãe. A minha resposta tem sido sempre a mesma, a realidade não corresponde ao que tinha em mente. Imaginava que desse trabalho, mas não imaginava que desse tanto. Imaginava que ia amar, mas não imaginava que ia amar tanto.

 

Nunca me agradaram muito as coisas fáceis e regra geral sempre me consegui exceder naquelas que eram mais difíceis para outros, sendo porém menos brilhante nas aparentemente mais simples. Ser mãe não é fácil, talvez seja a mais árdua das tarefas, no entanto sinto que foi feita para mim e assim será para a maior parte das mulheres. Porque, diferenças, à parte todas somos boas mães, supermães, gladiadoras e domadoras de leões, envolvidas pela delicadeza de uma bailarina. Somos únicas, e, na nossa delicadeza, mágicas, audazes, ferozes e vorazes. Pois ser mãe é um privilégio que nos é dado, sem sabermos como, antes de superarmos todos os níveis e provas. Penso que talvez seja por isso que nos questionamos todos os dias sobre se estamos a desempenhar bem o papel que nos é atribuído. Afinal de contas o tesouro já é nosso, a tarefa é estimá-lo e guardá-lo, para que um dia seja do mundo. No fundo temos que fazer jus ao que nos foi “dado”, sem lhes falhar.

 

É o trabalho que mais estimo e prezo, que mais me enlouquece e preenche. Faço-o com um suporte familiar de excelência e é graças a eles que o consigo fazer, juntando a esta festa da vida outras atividades. Tenho uma profunda admiração e estima pelas mulheres que o fazem sozinhas, sem assistência de bastidores. Para mim são mitos, heroínas sem capa, mulheres gigantes. Porque ser mãe é o melhor do mundo, mas às vezes dá-nos cabo da cabeça e do coração. É preciso que nos recordemos todos os dias do que temos em mãos, e que as gargalhadas deles geralmente curam todas as dúvidas existenciais que surgem nas más noites ou com uma birra “monumental”.

 

Ser mãe dá trabalho, mas é o trabalho mais valioso do meu mundo.

 

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(imagem retirada do pinterest)

 

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