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alfacinha

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Ser Mãe # 3 - É dar colo

Lisboa, 21 de outubro de 2016

 

Mal os nossos bebés nascem são, regra geral, colocados sobre o nosso peito. Esse momento único, inexplicável e místico, é posteriormente prolongado pelo nosso colo. O nosso colo transforma-se desta forma numa extensão do nosso corpo, num ninho humano, quente e aconchegante, no sítio mais seguro do mundo. A seguir ao nosso colo chegam o do pai, dos avós, dos tios, dos restantes familiares e amigos… No entanto, o nosso parece ser muitas vezes o preferido de entre todos os outros.

 

Tenho que salientar que o Manel tem a sorte de ter vários colos para além do meu, a começar pelo colo do pai. O colo do pai é tão especial como o da mãe e é sempre um ninho onde se pode abrigar, sendo que, às vezes, sou bafejada por um olhar de lado caso o tente remover.

 

Há o colo dos avós, que é dourado e saboroso, sendo muitas vezes (ou quase todas) oferecido sem pedir. O colo dos tios é, cá em casa, mais raro do que ambas as partes gostariam (o meu irmão e cunhada são tios únicos e vivem em Copenhaga), mas é sinónimo de brincadeira e carinho, deixando um rasto de saudade ao partir. A estes colos, juntam-se dois muito especiais – o da Sandra e o da minha madrinha (tia-avó do Manel) – estes dois colos estão repletos de generosidade, amor, muito mimo e atenção.

 

Contudo, apesar de todos estes abrigos maravilhosos que o Manel tem, há choros que só o meu colo acalma, olhares desesperados a pedi-lo e momentos em que me sinto um pouco constrangida, com ele a querer mudar de um outro colo para o meu. É a natureza a falar e tenho a certeza de que a maior parte dos bebés faz o mesmo, sendo que tal não significa que prefira a mãe ao pai, ou a qualquer outro membro da família. Por mais “injusta” que seja a situação, o nosso colo é um dos locais onde se sentem mais resguardados e protegidos. No entanto, se sentimos uma certa vergonha por quererem “saltar” para o nosso colo em detrimento de outro, também há o sentir de um certo orgulho maternal, que faz de nós a pessoa mais especial do mundo, a guardiã do Santo Graal, com o coração aconchegado.

 

Apesar de conseguirmos fazer muita coisa com eles ao colo (e sempre mais qualquer coisita extra que o mundo nos peça…), há tarefas que são impossíveis de fazer com uma “mini pessoa” atracada a nós. Se, por um lado, é maravilhoso sermos o porto-de-abrigo de excelência dos nossos bebés, sabe bem viver de vez em quando sem ser em “modo coala”. Alternamos, assim, entre o desejo de ter os dois braços livres e o de querer usar esses mesmos braços apenas para os apertar ao nosso peito, como que a “impedir” que o tempo passe fazendo-os crescer rápido de mais.

 

Crescer com saúde é uma prece que fazemos para os nossos filhos, mas nem por isso estamos preparadas para o momento em que nos mandam dar uma curva.

 

A maternidade atribui às mães uma certa “bipolaridade” no que toca ao crescimento dos seus bebés - queremos que sejam crianças independentes, mas queremos também que sejam por mais um bocadinho os bebés cujo local favorito é o nosso colo.

 

É esta “bipolaridade” maternal que nos dá vontade de lhes dar colo sempre que eles querem, sem, obviamente, os “arrancar” de outros colos, nem ir a correr tirá-los do berço sempre que choram, pois também é importante que eles aprendam a acalmar o choro.

 

Sou sempre um porto-de-abrigo, pronta para lhe pegar quando precisar de consolo ou quando o choro persistir. Se adormecer sozinho – o Manel já o faz algumas vezes - tanto melhor; se precisar de embalo ou que lhe cante o “Balão do João” vinte vezes seguidas, fá-lo-ei de coração cheio.

 

E, por muito que me doa o ombro, ver os meus olhos nos dele dá-me mais um bocadinho de resistência.

 

E sim, ser mãe é também proferir frases lamechas e aceitá-las como nossas. Ser mãe é, dentro dos limites do bom senso, “dar colo” a um filho sempre que ele precise, mesmo quando já for um homem (ou uma mulher) e ultrapasse os limites de altura. Porque para “dar colo” não existem limites requeridos.

 

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 (imagem retirada do pinterest)

 

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