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alfacinha

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Ser Mãe # 1

 Coimbrão, 3 de Agosto de 2016

 

Desde que sou Mãe (escrevo Mãe com M maiúsculo porque acho que é nome merecedor de tal honra, assim como Pai), fazem-me a seguinte pergunta com alguma recorrência: “Então e é bom ser Mãe?”. A reposta é um imediato e directo “Sim” ou um entusiasta “Então não é!”. A verdade é que um dos meus maiores receios era por algum motivo não o conseguir ser. Contudo, não se consegue imaginar a magnitude da coisa até se passar por ela. De facto, da experiência que já vivi posso dizer que é fantástico, inacreditável, mágico, surreal, único. Há noites menos bem dormidas, há choros que parecem intermináveis, existem um cem número de aventuras e peripécias (isto em quase 3 meses, imagino ansiosa o que aí vem), mas é mesmo verdade que quando eles olham para nós e se riem vale tudo a pena. Devido a esta pergunta recorrente, lembrei-me de ir escrevendo sobre o que é ser Mãe para mim ao longo do tempo porque acredito que ser Mãe é algo que não tem uma definição estática.

Ser Mãe é ter medo de tudo e de nada. É ter receio que uma dor de cabeça seja mais do que isso, de que não hajam minutos suficientes para os ver crescer. É ter medo de os perder, para o tempo, para o mundo ou para a vida. Ser Mãe é perder toda a racionalidade de um ser humano normal e pensar nas situações absurdas em que lhes pode acontecer algo de mal. É ir verificar se estão a respirar enquanto dormem, mesmo quando estiveram meia hora antes a chorar e finalmente nos deram uns minutos de sossego. Ser Mãe é desejar que o tempo congele para que nos nossos braços eles encontrem sempre o ninho que os protege, mas que os tem que deixar voar. É desejar que um dia se tornem em pessoas graciosas, felizes, sensatas, honestas, mas sem nunca perderem o olhar mágico e inocente com que olham o mundo. 

Quando me falavam no amor incondicional que se sente por um filho, nunca imaginei que fosse “ISTO”. Quando recebi o Manuel nos meus braços senti um choque de paixão, misturado com adrenalina. No princípio, parece que nos temos que beliscar vinte vezes ao dia para termos a certeza de que estamos a viver na realidade e não num sonho. Ao longo destas 12 semanas, fui conhecendo cada traço dele, cada pedaço, cada sorriso e entre estes instantes fui invadida pelo “dito cujo”. É agora que sei o que queriam dizer quando me falavam em amor incondicional. Todos os dias o amo um bocadinho mais, todos os dias quero um bocadinho mais para o poder gozar. Se no princípio estamos apaixonados e inebriados, incrédulos por termos “feito” aquele bebé, depois somos atropelados por um sentimento do tamanho do mundo e ficamos viciados como se de uma droga de tratasse. Droga essa à qual ficamos mais “agarrados” a cada dia que passa. E esse é o vício que creio que cresce para sempre, ficando para sempre. Esse é o “malvado” amor incondicional, que chega e vem para ficar.

Este amor incondicional é o culpado de todos os medos e angústias que sentimos quando somos Mães. Porque sabemos que ganhámos algo que ultrapassa tudo, pois é o sentimento que faz com que se relativize tudo o resto à nossa volta. Aquilo que ambos têm em comum é que se instalam em nós de mansinho e sem darmos conta. Nisto de ser Mãe há muito o “valer a pena” e de certo “vale a pena” ter medo, porque sem ele isto não era tão especial.

 

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