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alfacinha

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Na mala de férias #2 - As diferenças pré e pós bebé

A maternidade / paternidade possui o dom maravilhoso de incutir um significado novo às coisas mais banais do nosso dia-a-dia, como, por exemplo, fazer malas de viagem.
 
É certo que as férias já acabaram e que o outono já chegou, mas seja para passar uns dias em casa dos avós ou para um fim-de-semana fora, há sempre malas para fazer durante o ano inteiro. Há alturas em que só de pensar na quantidade de coisas que é necessário levar nem apetece ir passar uns dias fora… Contudo, é inevitável que mais tarde ou mais cedo nos tenhamos que deslocar de “armas e bagagens” para qualquer lado!
Nestes quase cinco meses, já foram várias as deslocações feitas com o pequeno Manel e respetiva bagagem atrás, seja para um simples fim-de-semana em casa dos avós ou para férias.
 
A logística varia consoante o sítio para aonde vamos e o número de dias que iremos estar fora de casa.
 
Podemos pensar que para um simples final de semana em casa dos avós não são necessárias muitas coisas… No entanto, há sempre objetos com “formatos estranhos” que levamos atrelados a nós (neste grupo incluo- o ovo; o carrinho; a espreguiçadeira… e ainda fraldas, roupa a dobrar, leite em pó e biberons (no caso de já não mamarem) e respetivo esterilizador, peluches e brinquedos berrantes assim como um sem número de artefactos que nem sonhávamos existirem, mas que passaram a ser essenciais para garantir o dia a dia e a nossa sanidade mental. A mudança na mala para as férias de verão foi apenas visível na quantidade de roupa que levámos, de resto os extras foram os mesmos.
 
O verdadeiro desafio vai ser este fim-de-semana, porque temos um casamento fora de Lisboa e vamos ficar num hotel. Para além de ter de planear a logística de biberons / esterilizador / água fervida, agora já tenho que ir com sopa e fruta atrás. Falta acertar todos os detalhes, mas acho que vai correr tudo pelo melhor. As malas destes últimos meses já me ensinaram que nos devemos adaptar às circunstâncias e que por vezes há coisas que podemos deixar em casa. Há que decidir o que é indispensável e o que pode ficar, tarefa que é sempre mais simples na teoria do que na prática.
No entanto, com tanta mala feita e desfeita, não pude deixar de constatar certas diferenças na minha forma de fazer malas pré-bebé e pós-bebé; passo a citar:
 
# 1 – Antes do Manel demorava horas intermináveis a fazer uma mala só para mim. Hoje demoro cerca de meia hora a agrupar a “casa toda às costas” e a roupa do Manel – tiro cinco minutos para juntar a minha roupa, os meus produtos de higiene e maquilhagem – ser mãe dá um pragmatismo “brutal” à vida.
 
# 2 – Na minha existência pré-bebé, ir de fim-de-semana implicava “toilettes” ao sabor do destino para aonde ia. Agora, apesar de as “toilettes” continuarem a existir, vai tudo a mil para dentro da mala – antes era tudo processado com cuidado e escrutinado ao milímetro.
 
# 3 – Se antes do Manel, parecia que me faltava sempre qualquer coisa, agora parece que me faltam mil. E geralmente esqueço-me sempre de qualquer tareco indispensável.
 
# 4 – Se fazer malas com avanço era algo necessário, mas negligenciado na maior parte das vezes, com um bebé é um hábito essencial. Contudo, por mais tempo que se tenha parece sempre que andamos em contrarrelógio.
 
# 5 – Enquanto sem bebé bastava pegar na mala e sair porta fora, sair de casa com um bebé é completamente diferente… Adicionem um cão um tanto ou quanto alucinado e elevadores antigos nos quais o carrinho não entra aberto… Sair de casa é, por vezes, mais cansativo do que a viagem em si. Admiro os pais que têm a coragem de viajar com os seus filhos pequenos pelo mundo fora, não sei se seria capaz de o fazer sem perder o juízo, mas creio que o segredo é não complicar muito as coisas!
 
Postas todas estas questões pergunto-me a mim mesma porque é que vamos de “viagem” com um bebé e com os seus (nossos) apêndices. Porque não somos eremitas e por muito extenuante que seja devemos tentar fazer aquilo que fazíamos antes de ser pais, ainda que não o façamos da mesma forma.
 
Fazer malas é apenas mais um reflexo de que a vida nunca mais volta a ser igual ao que era. Contudo, apesar de neste contexto por vezes não ser mais fácil é muito mais enriquecedora. A felicidade está nos momentos em que, por mais cansados que estejamos, pensamos que está a valer a pena.
 
E se há coisa na vida que vale a pena é ter um filho, por mais tralhas que tenha que acarretar quando me desloco, porque por ele levava o mundo às costas.

 

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 Imagem encontrada via pinterest - ilustradora: Kanako Kuno

 

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