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alfacinha

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Instantaneamente #4 - Sem Voz

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Há coisas que me fazem ficar sem voz. Pura e simplesmente porque não sei com que voz as expressar.

Este cantinho de céu, que faz bater o coração da minha família, encontra-se no meio do pinhal de Leiria. A aldeia aonde se encontra, o Coimbrão, já esteve pelo menos uma vez cercada por chamas. Foi no verão de 2005 e eu estava no pico da adolescência, vulgo estupidez, mas nunca me vou esquecer do cheiro daqueles dias ou tão pouco do sufoco e da cinza que assombraram os nossos corações e cobriram os nossos quintais.

Temos alguns pinhais e desde que me conheço por gente, foi-me ensinado o valor da madeira que me corre nas veias. Não o valor material ,mas sim o cheiro que se entranha no corpo quando se entra por um pinhal a dentro. Consome-nos a alma, transmite-nos paz, afeita-nos o espírito e enche-nos de vontade de sermos grandes.

Também,neste pedaço de céu, foi-me ensinado o valor da vida e a expiração da mesma.

Mas, há coisas que me continuam a tirar a voz. A inércia e impotência são duas delas. Não me consigo imaginar num beco sem saída, num cenário infernal e sem escapatória possível. Não quero acreditar que algo tão belo, como uma estrada por dentro de um pinhal, se torne no sufoco de tanta gente.

Neste modesto pedaço de céu, tão nosso, ensinaram-me a dar a mão à minha gente. Sem grandes coisas e com a pouca voz que tenho, deixo-vos o meu silêncio e o meu pedaço de céu.

 

{e o desejo do melhor do mundo para quem tudo perdeu}

 

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