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alfacinha

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Hot Topics #2 - O desacreditar de uma Nação

Pensei se havia ou não de escrever sobre o assunto, existem provavelmente opiniões muito mais interessantes do que a minha no que toca a este assunto. No entanto, em tempos fui apaixonada por política e quis mudar o mundo. Hoje em dia, sou uma mera espectadora de bancada, muito menos assídua do que gostaria, sendo que o meu mundo me impede de perder tempo com aquilo que me causa nós na barriga. Não é desinteresse, é mesmo a gestão temporal de uma mãe que tem de seleccionar com escrutínio aquilo a que dá atenção.

 

Curiosamente, na semana passada escrevi sobre o papel que uma mãe tem na formação da humanidade e por esse motivo achei que tinha de exprimir a minha opinião sobre isto.Não me ocorre melhor termo para o que aconteceu ontem à noite: isto.A minha perplexidade não permite mais, e o baby brain também não ajuda a referir-me aquilo que aconteceu noutros termos. Não estou perplexa com o facto de ter alguém pouco apetecível a ocupar um dos assentos mais importantes do mundo. Nem falo das implicações económicas e sociais que esta eleição podem causar. Estou chocada com o facto de existirem pessoas, sobretudo mulheres com formação a escolherem alguém com aquele perfil para as representar. Só posso atribuir esta escolha ao desespero, à falta de esperança e ao enfartamento de viver numa sociedade que não dá aquilo que se precisa. E de repente, percebe-se que as sociedades não se identificam com os líderes dos seus países. O sentimento é generalizado um pouco por toda a parte, vota-se em beltrano para não votar em sicrano. Já não existem líderes como antes, ou será que nunca existiram? Será que nos tornamos mais exigentes à medida que os anos passaram? Será que ficam na história aqueles que não tiveram a possibilidade de governar? Como o JFK ou o Francisco Sá Carneiro, mitos e lendas por não terem tido o tempo de mostrar aquilo que com ele fariam.

 

Tudo isto me leva a pensar, que escolher alguém por não haver alternativas melhores é, para além de desmoralizante e triste, o problema de raiz de tudo o resto. O não acreditar com garra e convicção de que alguém pode mudar a sociedade em que nos inserimos, alguém que dê luz a um mundo cada vez menos transparente. Pode ser uma esperança um tanto ou quanto infantil, porque mudar o mundo não é tarefa simples e há burocracias e outros factores a ter em conta. Mas não devia ser isso que nos move? Que os move?A tenacidade de querer mudar o mundo, de transpor barreiras e de fazer com que a sociedade seja melhor para aqueles que a habitam. É um pipe dream e não peço tanto, porque sei que não pode existir tanto. Só peço que haja alguém algures, que seja capaz de liderar uma sociedade com franqueza, esperança e responsabilidade social. Não peço santos, peço homens e mulheres com formação, espírito de liderança e bom fundo (mesmo que seja lá no fundo).

 

Não vivo nos Estado-Unidos, e não posso afirmar com certeza absoluta aquilo que faria se lá vivesse. Não sei em que classe social estaria inserida, não sei se poderia ter o luxo de fazer aquilo que gosto, não sei se viveria uma vida relativamente desafogada, não sei se teria um plano de saúde para mim e para o meu filho. Apenas posso afirmar que faria o possível para escolher com o máximo de clareza e consciência possíveis. Não tenho a certeza de que esta seja uma boa escolha, julgo que a outra seria mais fácil de gerir e sobretudo de engolir. Acho que o principal eleitor de ontem foi a descrença e o desacreditar de uma sociedade gasta e cansada. Apenas tivemos a confirmação de que o mundo está diferente e que muda um pouco todos os dias. Resta-nos olhar para ele e tentar fazer do nosso um sítio melhor.

 

Ou talvez, faça aquilo que o meu avô Pedrosa fez nos anos de ditadura – resguardava-se no seu mundo, apesar de ouvir a BBC e a rádio Alemanha todos os dias, tomando conhecimento sobre o que se estava a passar no mundo e em Portugal. Se por um lado não concordava com o regime, nunca se envolveu nem com a oposição nem tão pouco compactuou com o que se estava a passar. Tinha a capacidade imensa de ser sensível com aquilo que o rodeava, mas era capaz de pôr de lado a negrura das situações, focando-se naquilo que a ele lhe trazia alegria e bem-estar. Porque às vezes penso que tudo isto é um circulo vicioso sem escapatória possível e que por isso mais vale tapar o sol com a peneira e vivermos as nossas vidas, alheios ao resto da paisagem. Mas depois, surge em mim aquela adolescente que queria mudar o mundo, e o caso muda de figura. Esperança, paciência e resiliência – É com isto que devemos, hoje e sempre, encarar o mundo.

 

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J.F.K (imagem retirada do pinterest)

 

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