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alfacinha

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Desculpe é Mãe? A serenidade no meio do caos.

Quem me conhece sabe que um dos meus meios de transporte preferido é o táxi. Não apenas pelo conforto em si, mas porque a comunicação que se estabelece com outra pessoa num curto espaço de tempo pode ser algo muito interessante. O táxi é por norma um local de iteração com o outro, sobretudo pelo facto de ser um espaço pequeno e fechado. O contacto com as pessoas com quem nos encontramos no dia-a-dia é de extrema importância pois é aquilo que faz de nós seres humanos. É aquilo que nos tolda, que nos aproxima uns dos outros nos fazendo pensar naquilo que somos.

Comunicar, interagir e partilhar ideias com os outros é algo que me apaixona. É uma das melhores ferramentas que tenho para me inspirar, porque é nesses contactos que encontro muitas vezes o sentido das coisas.

Numa viagem de táxi recente, estava à conversa com o taxista quando recebo um telefonema da Sandra. A Sandra é a pessoa que durante toda a minha vida tratou de mim e do meu irmão. Hoje é em conjunto com os avós, os tios e a minha madrinha quem fica com o Manel quando nós precisamos. Interrompi a conversa com o taxista para prontamente atender a chamada, já a pensar que tinha acontecido alguma coisa horrível. A Sandra queria apenas saber se podia dar pêra ao Manel, mas como qualquer mãe, por mais bem entregues que estejam os nossos filhos um telefonema põe-nos logo em alvoroço.

Terminada a conversa telefónica, o taxista faz-me a seguinte pergunta: “Desculpe, é mãe?”. Eu respondi que sim, que tinha um bebé de quatro meses. Depois de me dar as devidas felicitações começamos um diálogo sobre a maternidade. Das muitas coisas que me disse, houve uma que me ficou a trabalhar na cabeça: “ Vê se que é mãe pela sua serenidade e maneira de estar!”

Fiquei a pensar naquela frase e nos seus paradoxos. A maternidade trouxe-me de facto uma serenidade indescritível.Essa serenidade é abanada por breves segundos aquando de um telefonema, porque assim que sabemos que está tudo bem invade-nos o coração, provavelmente transmitindo o sentimento a quem está ao nosso lado. Indescritível não só pelo que nos faz sentir, mas porque é maravilhoso o facto de se abrigar tamanha serenidade no seio do invariável caos que é a chegada de um bebé. Para além de estar intrinsecamente ligada à sobrevivência da espécie-apenas ela nos acalma o coração quando os dias são mais complicados-penso que a serenidade está ligada ao pragmatismo que nasce quando se tem filhos. Ser mãe ou pai, faz-nos ver a vida com um pragmatismo brutal. Os “problemas” que causavam inquietude antes de ser mãe já não existem, não por não estarem lá, mas porque o importante está bem. A partir do momento em que se é mãe o importante é que os nossos filhos tenham saúde e que nós sejamos capazes de os educar e de os ver crescer. Parece um cliché, mas é a mais pura e simples das verdades. Todo o caos é relativo e a destreza e facilidade com que se fazem as coisas duplicam, porque triste era não as poder fazer. Claro que há momentos em que nos vemos e nos desejamos, mas depois a serenidade entra em cena. E é essa a serenidade indescritível que nasce com os nossos filhos e nos permite ver a vida com outros olhos. 

A serenidade de quem tem nos olhos deles o mundo, no sorriso que nos dão a paz e em todo o caos que eles geram a vida.

 

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