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alfacinha

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Brutus #1

Este blog é entre as costuras e receitas, a partilha das minhas opiniões e vivências familiares. O Brutus é um dos elementos da minha família. Para quem segue o nosso Instagram, o Brutus já é uma cara conhecida. No entanto, apesar de já ter publicado fotografias dele, nunca contei a sua história.

Desde pequenina que queria um cão, mas os meus pais nunca foram nem na minha conversa nem da do meu irmão. Quando os pedidos começaram a ser mais constantes, os meus avós maternos arranjaram-nos um cão que vivia com eles em Santarém, chamava-se Fox e durante uns tempos colmatou o nosso desejo por um cão. Entretanto, o meu avô morreu e a minha avó veio viver para Lisboa. Nem nessa altura nos fizeram a vontade, sendo que o Fox foi viver com uns senhores velhotes conhecidos. Não sei o porquê exacto de nunca terem acedido ao nosso pedido, mas penso que para além de na altura lhes fazer confusão ter um cão num apartamento o motivo principal era o facto de acharem que nós não tínhamos maturidade suficiente para tratar de um cão. Ou seja, ia acontecer o que acontece sempre: os pais arranjam um cão aos filhos, mas quem acaba a tratar dele são os pais. Motivos à parte, o facto é que sempre desejei ter um cão, mas nunca imaginei que me ia apaixonar por um.

Há três anos, inspirada pelo pai do Manel, decidi adoptar um cão. O Francisco tinha uma cadela há 14 anos, adoptada na união zoófila, que infelizmente nos deixou no ano passado.

Numa tarde de calor abrasador, lá fomos nós visitar o canil da união zoófila. Foi nesse dia que vi pela primeira vez o Brutus e assim que lhe peguei ao colo fiquei rendida. Naquele instante soube que ele estava destinado a ser o meu cão. É um sentimento estranho de explicar, mas a única forma do explicar é esta:uma paixão à primeira vista, uma química indescritível.

Contudo, não o pude trazer logo comigo porque supostamente o Brutus já estava adoptado. Fiquei desolada, durante algum tempo pensava imenso nele e só de ver outros cães tinha vontade de chorar. Pode parecer absurdo, mas a ligação que senti assim que o vi foi única. Até que passado umas semanas, recebo uma chamada do Francisco a dizer-me para ir para casa porque tinha uma coisa para me dar. Quando abri a porta de casa estava o Brutus aos saltos, histérico, louco, feliz, a abanar a cauda e à minha espera. Desde esse dia que sou recebida desta forma, quer saia por cinco minutos ou por uma semana. Foi o melhor presente que alguém me deu na vida. Não só por ser algo que queria muito, mas porque foi uma prova de amor. Curiosamente, três anos depois seria a mesma pessoa a dar-me, de novo, o melhor presente do mundo - o Manel.

O Brutus conquistou a família toda assim que entrou nas nossas vidas. Desde a minha mãe que não queria cães em casa e que ficou rendida, à Sandra que lhe dá brinquedos novos todas as semanas, ao meu pai que o vem passear a meio do dia quando mais ninguém pode, ao meu irmão que quando vem a Portugal o leva imperativamente ao Jardim das Amoreiras, ao Francisco que vê como salvador e sinónimo de brincadeira. A conquista mais recente é o Manel, que olha para ele como se de um ídolo se tratasse.

Imagino que a relação entre os dois seja estranha para algumas pessoas. Confesso que para mim é a coisa mais natural do mundo. Obviamente que tenho certos cuidados, o principal é não os deixar sozinhos sem supervisão.No entanto, o Brutus percebe que o Manel é diferente de um adulto. Quem tem cães e crianças, geralmente presencia isto. É incrível ver o comportamento tanto de um como de outro. O bisavô do Manel diz que é o melhor que podíamos ter dado ao Manel, a possibilidade de ter uma relação deste tipo. E eu acredito que seja mesmo uma das melhores coisas que lhe podemos dar. Porque a relação que se estabelece com um cão, ou com qualquer animal de companhia, marca-nos para toda a vida. O amor, lealdade, amizade e gratidão que nos dão é impagável e eterno.

A nível pessoal, o Brutus toca-me no coração todos os dias. Seja pelas suas brincadeiras efusivas que arrancam um sorriso à mais sisuda das pessoas ou pela sua compreensão e carinho constantes.

O Brutus era o centro das atenções cá de casa, com a chegada do Manel há sempre momentos em que invariavelmente recebe menos atenção e brincadeira. No entanto, tem se comportado como um senhor e fica ainda mais contente quando lhe damos atenção. Não é apenas um cão, considero-o parte da minha família e não imagino a minha vida sem ele. Sei que provavelmente um dia vai acontecer ter que viver sem ele, até lá vou aproveitando cada segundo da alegria e do carinho deste meu fiel amigo. Entretanto, também vou fazendo figas para que seja imortal e nunca nos deixe. Quando nos dizem que quem nos adopta são eles não estão a mentir.

Quem nos cativa o coração são eles. A nós cabe-nos a responsabilidade de os tratar com o respeito, amizade e amor que merecem. Comparado com aquilo que eles nos dão é pouco, mas o que conta é que seja genuíno e para sempre. Afinal, aquilo que eles nos ensinam é que amar é fácil, os seres humanos é que por vezes o tornam difícil.

Obrigada Brutus por me mostrares todos os dias um dos lados mais puros da vida.

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