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alfacinha

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A mãe não tem tempo #1 – O drama dos collants

Há dramas femininos para os quais ninguém tem paciência. 

Há dramas no feminino dos quais as mães deviam ser poupadas. 

Não por terem carregado um ser humano durante 9 meses, não por terem rendido o seu corpo esporadicamente como forma de alimento, não por serem verdadeiras rainhas na arte do  multi-tasking mas apenas e só porque as mães não têm tempo para lidar com irritações quotidianas, ou têm menos disponibilidade do que quem não tem um pedaço de gente a reclamar com fome ou com qualquer outro dilema não verbalizado.  

 Estas irritações quotidianas que nos infiltram o dia-a-dia com momentos de menos boa disposição, fazem-nos perder , por instantes, toda e qualquer esperança na humanidade, assim como paciência para com as nossas vidas e crias. 

Se há coisas que nos enervam como mulheres,  esses dilemas pioram se vividos com um pequeno ser humano a chorar em modo cruzeiro. 

É, basicamente, como se uma ervilha se transformasse  em abóbora. E, de repente, o burro está nas couves e o caldo entornado. Depois passa, porque não temos outro remédio e porque de facto era apenas uma ervilha e não uma abóbora. No entanto, somos seres humanos e não é por vivermos o milagre da vida que a irritação nos passa ao lado. Não é por sermos absolutamente felizes que deixamos de as ter, até porque, sejamos honestas, que graça teria sermos uma Alice no País das Maravilhas? 

Dos dramas femininos que mais me encaniçam o juízo, o que a seguir descrevo ocupa o primeiro lugar no pódio. Aliás foi de o viver no outro dia que surgiu a ideia para esta rubrica. 

Sou amante incondicional de calças, a Coco Chanel merece um lugar num pedestal por as ter trazido para o universo feminino, mas gosto de alguns vestidos e de os vestir de vez em quando. No entanto, é cada vez mais raro fazê-lo - parece que me esqueço deles e das suas irmãs saias.   

Na verdade, tento convencer-me de que é por esquecimento que não os visto no Inverno. Contudo, o verdadeiro motivo é o eterno drama dos collants. Tenho a certeza de que não é um problema exclusivamente meu, pelo menos espero que não seja, mas os meus collants aparecem sempre estilhaçados como se habitasse uma traça no meu roupeiro ou se eu fosse vocalista de uma banda punk. 

Não é da qualidade, porque já utilizei mil e uma marcas e acabo sempre com uma malha levantada. E depois de uma malha levantada não há salvação possível, é sempre a piorar.  

 Para agravar a situação não os deito logo fora, na esperança de os vestir por debaixo de calças, mas nunca visto.... 

E depois acontecem episódios como este:  

Numa bela manhã de sol...  

10:00H – Manel vestido e preparado para sairno berço a brincar. Eu de banho vestido, maquilhada, só falta vestir. Soutien e cuecas; falta o resto.  

10:01 H– Decido vestir um vestido cinzento escuro que já não visto há umas semanas. Vou à gaveta dos collants e tiro uns pretos de vidro que me parecem em condições. Visto os ditos e verifico um buraco gigantesco que vai desde a virilha até ao joelho. Primeira tentativa falhada. Despir collant a cantar "The Wheels on the Bus" enquanto o Manel dá sinais de estar a perder a paciência.   

10:03 H– Vou à caça de outro par de collants. Entre mil e uma opções, tenho uns verde esmeralda e outros com glitter, nada de pretos básicos. Lá resgato uns do meio do molho que me parecem estar em bom estado. Visto-os toda contente da vida, a fazer uma dança que é um misto entre um canibal e uma adolescente já com uns quantos copos em cima. Tudo isto de soutien e cuecas.   

10:04 H - Ao vestir o vestido, reparo num buraco cá em cima na barriga. O Manel começa a guinchar e eu penso em deixar os collants e prosseguir com a festa. Depois imagino a figura de vocalista punk ou teenager gótica que vou fazer e volto atrás. Dispo os collants enquanto na minha mente ecoam palavras menos próprias. O Manel começa a passar-se para o lado do Darth Vader... 

10:05 – Digo ao Manel: "Já venho. Não Chora!" (como se ele percebesse). Corro até à outra ponta da casa em busca da minha última esperança: vivo com a minha mãe e assalto-lhe o guarda-roupa com frequência. O problema: ela sabe do meu drama de collants rotos e esconde os melhores num esconderijo secreto.   

10:06- Toca a procurar, qual Dora a exploradora. Pego nuns que me parecem aceitáveis e toca a ir salvar o pequeno Tarzan. Chego e está feliz da vida a balbuciar com os seus bonecos. Respiro e vou vestir os collants.  São azuis escuros ou pretos?  Bolas, são azuis escuros! Manel volta a passar-se para o lado negro. Desisto e visto umas calças. Pego no Manel e ponho-o a dormir.  

10:15- Com vontade de estrangular um pónei, pego nos collants rotos e ponho-os no lixo – juro nunca mais vestir um vestido no inverno. Digo umas quantas asneiras num monólogo comigo mesma. Bebo um café, acalmo a ira dos collants e aproveito o meu Tarzan estar domado.   

  

Lição dos collants:  Para não perder 15 minutos de sanidade mental, de futuro deito logo os rotos fora. Assim como assim parecem artigos descartáveis. Ou há por aí alguém que tenha inventado ou descoberto a coqueluche dos collants?  

Há mais alguém que partilhe do mesmo drama? 

Mães ou não, porque no fundo todas temos direito a um bom par de collants, sem buracos e que durem mais do que uma utilização.  

 

collants.jpg

Imagem retirada do pinterest.

 

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