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alfacinha

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7 meses, dentes e uma ode ao sono

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Sete meses de bebé Manel, de muitas aventuras, de muito sono e de mais noites sem dormir do que me possa lembrar de alguma vez ter tido.

 

Nunca na minha vida sonhei que ia ter tantas saudades de dormir uma noite inteira sem interrupções. Às vezes dou por mim a imaginar um banho quente e perfumado, uma cama fofíssima, com múltiplas almofadas, e eu, feliz e contente, a saltar em cima dela como se tivesse dez anos.

 

No entanto, não me posso queixar porque o Manel não é dos “piores” no que toca a dormir. Há noites em que dorme seis horas seguidas, houve uma ou outra em que já dormiu oito, mas depois noutras noites só adormece à meia-noite e acorda várias vezes pela noite dentro.  Ou seja, não tem ainda um padrão de sono estabelecido e nunca sei o que é que me vai sair na rifa.

 

Nos últimos tempos, as noites menos boas são a regra cá por casa e as boas deixam saudades intermináveis e o desejo inerente de que volte tudo ao que era. Os dois dentes de coelhinho saltitante são provavelmente os culpados destas noites mal dormidas, sendo que desconfio que o rompimento dos de cima esteja para breve.

 

No fundo sou uma sortuda, porque não posso dizer que tenha passado noites totalmente em branco e de momento não estou a trabalhar, mas a verdade é que são 7 meses seguidos de noites interrompidas e a privação constante de um bom sono vai-se fazendo sentir.

 

No meio de tudo isto, tenho a sorte de ter um suporte familiar muito constante e sempre pronto a ajudar. Assim, depois de uma semana e meia de noites sem dormir, a Sandra ofereceu-se para ficar com o Manel durante uma noite para eu me poder restabelecer. A tentação era grande, afinal mesmo não sendo o Manel dos piores no que toca ao sono já não dormia uma noite inteira seguida há quase sete meses…

 

Ao escrever isto, as mesmas dúvidas que pairaram sobre a minha decisão voltam à tona… 

 

Em primeiro lugar, pensei que tinha sorte, porque até agora ele não dava noites péssimas e depois imergiu a culpa materna de que ele é meu filho e quem deve tomar conta dele sou eu. Mas depois pensei na sorte que tinha de ter alguém de confiança para me ajudar a ser mãe. Porque apesar de haver uma parte instintiva, a maternidade é muito mais do que só instinto e às vezes ser mãe é reconhecer que precisamos de ajuda e, se tivermos a sorte de a ter, aproveitá-la.

 

Afinal o Manel ia dormir debaixo do mesmo tecto que eu, com uma das pessoas que tomou conta de mim durante a minha vida inteira e, se por acaso houvesse algum problema, eu seria avisada de imediato. Entre algumas dúvidas existenciais maternas, lá acabei por aceitar a proposta e a Sandra dormiu uma noite cá em casa com ele.

 

E lá dormimos separados pela primeira vez. Fiz a cama do Manel no quarto onde eles iam dormir, equipando-a de várias mantas para que não tivesse frio, liguei o aquecimento para que estive um ambiente confortável e depois do jantar entreguei-o à Sandra e despedi-me dele como se fosse para a Sibéria.

 

A verdade é que, por mais perto e bem entregue que estivesse, estabelece-se com um filho uma relação física de dependência e pode parecer absurdo, mas o desapego é algo muito complicado de gerir. Se por vezes queremos o nosso espaço e dormir é uma necessidade fisiológica e fundamental, os laços que se criam com o nosso bebé fazem com que o perto seja sempre longe.

 

Não sabia se seria capaz de me abstrair e ficar no meu canto da casa quieta, de não o ir assistir se ouvisse o seu choro… Por isso, comecei por me distrair a costurar e depois vi um episódio da minha nova série de eleição, The crown.

 

Antes de me ir deitar, fui ver se estava tudo bem e encontrei a porta do quarto fechada e um silêncio melodioso. Deitei-me na minha cama e olhei para o berço vazio – o coração ia-me saltando do peito – tapei o berço com mantas e agarrei-me a uma das muitas que ele tem, fechei os olhos e dormi abraçada a ela. Só acordei no outro dia de manhã, às nove horas, com o som maravilhoso do Manel a gargalhar.

 

É impossível de descrever o bem-estar físico e emocional que senti. O resto do dia correu às mil maravilhas, foi igual aos outros, com as mesmas “birras” e choros, a diferença foi em mim e na paciência gerada pela noite de sono que dormi.

 

Às vezes (quase sempre) um banho quente e umas boas horas de sono fazem maravilhas e aquilo que senti foi que me tornei melhor mãe por ter usufruído do luxo que é dormir. Se vem à tona uma pontinha de culpa? Vem, é impossível não me sentir culpada por ter aceitado separar-me da maior riqueza do mundo por uma noite. Acho mesmo que as mães vêm chipadas com esta culpa, na maior parte das vezes infundada. No entanto, prevalece o sentimento de bem-estar e o gozo que me deu aproveitar o meu bebé, sem sono e com muito mais cabeça. Julgo que devemos aceitar esta culpa materna como nossa, mas não devemos permitir que ela se sobreponha ao que é mais importante. E o mais importante é estarmos bem connosco próprias, fazendo com que eles sejam bebés felizes e saudáveis. Se isso implica uma noite sem eles ou outra coisa qualquer que nos dê uma lufada de oxigénio então que seja. Desde que seja com o propósito de sermos melhores mães, tudo vale a pena, com culpa ou sem culpa é isso que interessa.

 

Por aqui, dou graças à bênção que é ter alguém que me ajude a sê-lo e ao sono divino que me permitiu restabelecer as forças para o continuar a ser em pleno.

 

Um obrigada especial e do fundo do coração a ti minha Sandra, que me permite ser possível ser melhor mãe e lutar pelos meus sonhos.

Uma vénia a todas as mães e pais que enfrentam as noites mal dormidas com tenacidade, paciência e amor sem limites, seja de vez em quando ou todas as noites sem intervalo. 

 

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